Sobre o Cimento

Os jornais, ou pelo menos alguns, falam sobre a falta de água, luz, medicamentos e comida em Gaza.

Isto dito assim parece mau. Mas só teremos um pequena ideia do que é se da próxima vez que tivermos uma infecção não pudermos tomar antibióticos. Ou se tivermos uma dor de dentes e não houver analgésicos.


Mas o que realmente ajuda a ter uma dimensão verdadeira do que lá se passa, é nos pormenores. Por exemplo, desde meados de 2007 que Israel não permite que entre cimento em Gaza. Não são armas, rádios ou ferro. Cimento! Desde há 2 anos que não se pode construir uma casa ou reparar uma parede. São 5 milhões de pessoas, metade de Portugal. E há pessoas como nós, que têm aspirações a casar, a ter filhos e que esses filhos tenham um tecto.

O José Manuel Pureza tem razão quando diz que isto não é uma guerra. É um castigo.

Já este cerco durava há muito e o Hamas, os tais terroristas, tiveram um gesto que eu não teria. Decretaram um cessar fogo unilateral. Pediam que este cerco terminasse. Passados seis meses em que todo o mundo ignorou esta morte diária, atiraram uns rockets de dentro de Gaza sitiada. Escândalo internacional. Hamas terrorista. Hamas agressor.

5 comentários:

Anónimo disse...

nós.
somos todos.
para lá da raça, sexo, credo, geografia ou conta bancária.
mas só chegaremos LÁ, quando não houver adjectivos.
formos Todos. Um.

tinta disse...

Comunista!!!! Já agora uma sociedade sem classes sem pobres nem ricos, não????

Não sabes que é o facto de haver gente a morrer de fome e outros a comer caviar em rabos de virgens que faz a mundo avançar?

Que o Homem não presta e que o egoísmo é motor da civilização. Quando formos todos UM e solidários, o mundo acaba e desintegra-se.


Pelo menos é isso que nos emprenham pelos ouvidos todos os dias. Por isso me enojo todos os dias. Por isso gostava de ser uma entremeada em vez de homem. Porque me ofendo com as injustiças. Porque sinto. Porque não consigo ver o que vejo e ouço todos os dias sem alma se afundar. Porque não não consigo esquecer. Porque não consigo não ouvir. Porque não consigo não saber.

tinta disse...

"Em que momento da história um povo cercado por um muro de betão foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo controlado, nos mais pequenos pormenores do seu quotidiano, por um dos mais poderosos exércitos do Mundo foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que não tem direito a ter forças armadas, que não pode recolher os seus próprios impostos, que está proibido de ter porto e aeroporto, que está isolado de todo o Mundo e que depende a da boa-vontade do vizinho foi considerado um agressor? Em que momento da história um povo que depende da ajuda internacional e que tem pedir autorização ao vizinho para exportar e importar seja o que for, para receber medicamentos e para levar os seus velhos ao hospital e as suas crianças à escola foi considerado um agressor?"
Daniel Oliveira, in Arrastão

tinta disse...

'O que faz com que o povo da Palestina não possa resistir, como faria qualquer povo no Mundo?'

Anónimo disse...

glup...


sou comunista sim, ou utopiazista...

não posso aceitar o egoismo como motor da civilização.

não quero aceitar esse castigo a um povo.

"E há pessoas como nós, que têm aspirações a casar, a ter filhos e que esses filhos tenham um tecto."

foi nesse "nós" que peguei. lembrei-me que todos somos um pedaço de carne com sangue a pulsar, e como tal temos ou devemos ter os mesmos direitos.

a casa, casório, filhos e paredes. tudo.